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São Paulo antecipa campanha de vacinação contra H1N1
Doses serão distribuídas na próxima semana aos profissionais de saúde SÃO PAULO — Em meio ao surto do vírus H1N1 em São Paulo, que já provocou a morte de 38 pessoas somente neste ano, lotando hospitais e causando temor na população, o governo estadual decidiu antecipar para o início de abril a vacinação contra gripe para populações consideradas vulneráveis, como profissionais da saúde, crianças, idosos e gestantes da região metropolitana. A preocupação é tanta que provocou uma verdadeira corrida às clínicas particulares em busca da vacina que protege contra três subtipos da influenza, incluindo o H1N1. Algumas pessoas já preferem sair de casa usando máscaras.

No estado do Rio, foi registrada a primeira morte este ano causada pela gripe H1N1. A vítima morava na região metropolitana, mas a cidade não foi divulgada. A campanha do Ministério da Saúde vai obedecer o calendário divulgado anteriormente, com o início da vacinação apenas no dia 30 abril, mas, com o surto fora de época — a previsão era que acontecesse apenas no início do inverno, em junho —, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo decidiu, na quarta-feira, que as doses da vacina vão começam a ser distribuídas já na próxima semana aos profissionais de saúde. A partir do dia 11 de abril, serão oferecidas a crianças de seis meses a 5 anos, gestantes e idosos da capital e da Grande São Paulo. Ao todo, cerca de três milhões de pessoas deverão ser imunizadas.Para outros grupos, a campanha de vacinação seguirá o calendário do Ministério da Saúde.

Para o secretário de Saúde, David Uip, a prioridade para os profissionais da rede de saúde é necessária por causa do contato direto com pessoas infectadas. Segundo a secretaria, até o dia 22 de março foram notificados 260 casos e 38 mortes relacionadas ao vírus.

Em agenda pública na quarta-feira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que o Ministério da Saúde também está tentando antecipar a campanha. Segundo Haddad, a medida não depende apenas da vontade política, mas da produção do medicamento, uma vez que o vírus sofre mutações de um ano para o outro. A cidade registrou neste ano 66 casos e oito óbitos provocados pelo vírus H1N1.

— A informação que eu tive é que o Ministério da Saúde está tratando de antecipar o início da campanha. Não depende só de vontade política, depende da produção da vacina — explicou.

Segundo o Ministério da Saúde, até o dia 19 de março, o Brasil registrou 305 casos de gripe causada pelo H1N1 com 46 mortes. Não é apenas a demora no início da campanha de vacinação que tem causado preocupação. Pacientes já diagnosticados com a doença têm tido dificuldade para encontrar o Tamiflu, remédio indicado para o tratamento da H1N1. De acordo com o Ministério da Saúde, é importante que o medicamento seja administrado nas 48 horas do início dos sintomas.

O GLOBO entrou em contato com cinco grandes redes farmacêuticas e, em todas elas, os atendentes relataram a falta do medicamento em seus estoques, o que compromete os tratamentos.

O assistente social Luis Fernando Guggenberger, de 37 anos, foi um dos que tiveram dificuldades para encontrar o remédio. A mulher dele, Patricia, começou a sentir os primeiros sintomas da gripe na última sexta-feira. Após esperar quatro horas por atendimento em um hospital particular de São Paulo, segundo ele, veio o diagnóstico de H1N1. O casal, que mora na Zona Norte, só encontrou o remédio na segunda-feira.

— Passei um dia inteiro procurando o Tamiflu nas farmácias da região. Numa delas, o farmacêutico informou que o medicamento já está em falta há um mês. Em outra, me avisaram que há um acordo amigável entre várias unidades, onde uma avisa à outra quando tem — conta. A solução que Guggenberger encontrou foi postar uma mensagem em sua rede social, explicando aos amigos que precisava do remédio. Foi quando lhe indicaram um posto de saúde, onde o medicamento finalmente foi encontrado. A falta do medicamento também já foi registrada na rede pública. No início da semana, o secretário municipal de saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, havia dito que todas as unidades básicas de saúde (UBS) têm o medicamento disponível, mas, na quarta-feira, O GLOBO registrou a falta dele em três UBSs: República, Bela Vista e Cambuci, todos bairros da região central da capital.

Em nota, a prefeitura informou ter estoque do medicamento. “As unidades são reabastecidas dentro de um cronograma, e a reposição já está em curso. Houve um aumento de consumo nas unidades do centro, o que pode ter gerado essa questão”, diz o comunicado.

Morador de Valinhos, região metropolitana de São Paulo, o fotógrafo Marcelo Souza, de 40 anos, também teve dificuldade para encontrar o remédio. — Passei o dia todo percorrendo diversas farmácias, tanto na região de Valinhos como em Campinas. Todas me disseram estar em falta. Fora que o preço é um absurdo: cerca de R$ 212 por dez comprimidos. Só encontrei em um hospital público — contou. Por meio de uma nota, a Roche, fabricante do Tamiflu, informou que, desde a segunda quinzena de março observou “um aumento excepcional no mercado privado, e não previsto para esta época do ano” na demanda pelo medicamento. Os estoques do remédio de 75mg “esgotaram-se rapidamente”. O laboratório diz manter estoque do remédio em cápsulas de 30 e 45mg que são “parte de um plano de distribuição que visa atender às solicitações de farmácias, hospitais e distribuidores em geral. Novos lotes chegarão em abril, mês em que a Roche receberá os produtos especificamente para atender ao potencial enfrentamento da gripe no inverno”.

Fonte: O Globo Online

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