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Obstetras pedem testes de zika mesmo para grávidas sem sintomas
FOLHA DE SÃO PAULO ONLINE – 23 DE JANEIRO DE 2017

Mesmo sem recomendação oficial, médicos obstetras têm incluído o teste do vírus da zika no pré-natal para gestantes que não tiveram sintomas da infecção ou que não viajaram para áreas endêmicas.

Sociedades médicas não recomendam o rastreamento indiscriminado das gestantes porque os testes para zika são pouco específicos e podem gerar reação cruzada com outros vírus da mesma família.

Segundo o infectologista Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, em populações já expostas aos vírus da dengue ou da febre amarela (ou mesmo vacinada recentemente contra a doença), há risco de resultados falso-positivos por conta de uma reação cruzada.

"Resultados positivos devem ser analisados com cautela porque podem representar apenas uma exposição prévia a outros flavivírus." Para ele, não há sentido algum em pedir o teste a gestantes assintomáticas. "Só serve para causar estresse, neura e pânico entre as mulheres."

O ginecologista Cesar Fernandes, presidente da Febrasgo (Federação das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia), também afirma que o teste de zika não tem precisão suficiente para ser indicado como rastreio sistemático na gravidez –como acontece, por exemplo, com os testes de rubéola e de sífilis.

"Não se justifica, a menos que a paciente tenha apresentado sintomas de zika ou esteja preocupada e peça para fazer o teste. Mas precisa ser informada sobre a limitação."

Em casos de fertilização in vitro, o teste é obrigatório. Decisão da Anvisa de março de 2016 determinou que doadores de sêmen ou óvulo ou casais que vão fazer o procedimento sejam testados.

Se o exame do doador der positivo, o material é descartado. Em relação aos casais, se um ou outro estiver com o vírus, o início do tratamento ou a transferência do embrião para o útero (última etapa da FIV) deve ser adiado.

Segundo ele, uma comissão da Febrasgo que trata das questões de zika na gestação deve se reunir no final deste mês para atualizar as informações sobre o tema.

"Ainda há um desconhecimento muito grande sobre zika, não tivemos tempo hábil para maturar as informações. E a imprecisão dos testes não ajuda muito", diz ele.

Hoje há uma técnica que identifica o vírus nos primeiros dias da doença (Polymerase Chain Reaction, PCR) e os testes sorológicos IgM, que detecta anticorpos na corrente sanguínea na fase aguda, e o IgG, que verifica se a pessoa já teve contato com zika em alguma época da vida.

FALTA DE TERAPIA

A infectologista Carolina Lazari, assessora médica do Fleury Medicina e Saúde, lembra que um rastreamento só faz sentido se houver conduta terapêutica a ser tomada diante da infecção.

Por exemplo, se a grávida for detectada com toxoplasmose, sífilis ou HIV há possibilidade de tratamento que minimiza ou evita as sequelas da doença no bebê. "No caso da zika, não há o que fazer", afirma a médica.

Segundo ela, nos casos em que o exame dá positivo para zika, o laboratório costuma ligar antes para o médico, explicando as limitações do teste e a possibilidade de reação cruzada, para que ele tranquilize a paciente.

"Queremos evitar que ela veja o resultado pela internet e se desespere. Às vezes, não conseguimos falar com o médico antes e isso acontece."

Foi exatamente o que ocorreu com a advogada Ana Luíza Costa, 32, de Vitória (ES). Grávida de 12 semanas, ele teve o teste incluído no pré-natal, mesmo sem ter tido sintomas de zika. Ao abrir o resultado pela internet, levou um tremendo susto.

"Bateu um desespero, comecei a chorar, meu marido correu ligar para o médico, mas nem ele sabia muito bem o que dizer. Só falou que era bom repetir [o teste] para ter a certeza. Foi uma semana dos infernos até vir um segundo resultado negativo."

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