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Remédio para hepatite C é a aposta da Fiocruz para tratar zika
Os vírus da zika e da hepatite C têm enzima chamada RNA polimerase, que ajuda a multiplicação. Agente antiviral sofosbuvir age sobre essa enzima.

PORTAL G1/JORNAL NACIONAL – 18 DE JANEIRO DE 2017

Um remédio contra a Hepatite C é a mais nova aposta dos cientistas pro tratamento da zika. O estudo é coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz. Foram apenas oito meses de pesquisas e um resultado que pode salvar vidas. A descoberta é de pesquisadores da Fiocruz, do Instituto D'Or, da UFRJ, do Instituto Nacional de Doenças Negligenciadas, em parceria com indústrias farmacêuticas. Thiago Moreno, especialista em antivirais, partiu da semelhança entre os vírus da zika e da hepatite C. Os dois têm uma enzima chamada RNA polimerase, que ajuda a multiplicar o vírus. Um remédio chamado sofosbuvir - já usado no tratamento da hepatite C - age exatamente sobre essa enzima. “Trabalhando com remédios que já são aprovados, a gente consegue realizar essa pesquisa de uma maneira mais rápida, mais acelerada. E a gente tem no sofosbuvir um potencial novo, um potencial remédio que poderia ser adaptado para a utilização em zika”, explica Thiago Moreno Lopes e Souza, coordenador do estudo, CTDS/Fiocruz # O próximo passo foi testar esse medicamento em laboratório contra o vírus da zika. E o resultado foi mesmo da hepatite C. O teste foi feito em seis tipos de células. Em cinco, o remédio bloqueou a multiplicação e eliminou o vírus da doença, além de ajudar a recuperar células que foram infectadas e preservar as que estavam saudáveis. As imagens do vídeo deixam bem claro o que acontece. Cada pontinho azul é uma célula saudável do sistema nervoso. Elas são infectadas pelo vírus da zika. Quase todas as células morrem. Na terceira imagem, com o uso do sofosbuvir, 100% dos vírus desaparecem e as células ficam totalmente recuperadas. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (18) na revista científica inglesa, “Scientific reports”. E entre todos os medicamentos já testados contra zika, esse tem a grande vantagem de atuar diretamente no vírus, sem afetar o funcionamento da célula. O estudo mostra que o remédio provoca tantas mutações no vírus que ele não consegue mais se multiplicar. Mais uma boa notícia nessa luta do mundo contra uma doença que deixou uma geração com sequelas da microcefalia. “A gente imagina até o segundo semestre terminar os ensaios em animais de laboratório. É um primeiro passo de uma esperança no combate à zika”, diz o coordenador do estudo. Os pesquisadores esperam começar os testes com pacientes no fim do ano ou no início de 2018.

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