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Caso de 'doença da urina preta' traz indícios de transmissão por vírus, diz pesquisador
Mulher grávida apresentou os sintomas após entrar em contato com a irmã, que já estava com a doença; ela afirma não ter consumido peixe.

PORTAL G1/BEM ESTAR – 18 DE JANEIRO DE 2017

Um caso da "doença da urina preta" registrado na cidade de Alagoinhas, na Bahia, é usado como referência, de acordo com pesquisador, e traz indícios para a transmissão por vírus.

Segundo o infectologista Gúbio Soares, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), uma mulher grávida desenvolveu os sintomas da doença - dor muscular intensa, insuficiência renal e urina preta - após entrar em contato com a irmã. Ela diz que não consumiu peixe. Uma criança de 5 anos, da mesma família, também foi infectada.

“Estes casos mostram que a transmissão pode ser fecal/oral. Pode ser de uma família de vírus que se dissemina desta maneira”, afirmou o médico.

Soares está acompanhando os casos da doença em Salvador, na Bahia. Eles foram contabilizados oficialmente pela Secretaria de Estado da Saúde da Bahia de 14 de dezembro a 5 de janeiro deste ano. Segundo o infectologista, além dos dados oficiais, pessoas já haviam sido infectadas desde outubro.

“Eu estive conversando com um paciente que teve os sintomas em outubro. Ele estava internado e teve urina preta. Fez hemodiálise e teve alta”, disse.

A confirmação da causa da doença deverá ocorrer após a análise de amostras de urina, soro e fezes enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, Instituto Adolfo Lutz (IAL), em São Paulo, e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

Soares também está fazendo um sequenciamento genético de algumas amostras e diz que terá um resultado conclusivo nas próximas semanas.

Perfil dos pacientes

Segundo o infectologista Tiago Lobo, que também acompanha o caso de pacientes que tiveram a doença da urina preta em Salvador, dos 52 pacientes identificados, 8 relataram não ter consumido peixe.

Lobo acrescenta que a maioria dos pacientes atendidos com os sintomas são de classe média alta, o que o leva a concluir que não se trata de uma doença relacionada a falta de saneamento.

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