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Casos de febre amarela dobram na cidade mais afetada por surto em MG
Número de registros suspeitos em Ladainha foi de 29 para 56 no fim de semana

O GLOBO ONLINE – 16 DE JANEIRO DE 2017

RIO — No último balanço epidemiológico, divulgado na sexta-feira, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais contabilizava 133 casos suspeitos de febre amarela, com 38 óbitos também sob investigação. Mas estes números devem aumentar. Apenas em Ladainha, município mais afetado pelo surto, as mortes suspeitas pela doença subiram de 12 para 16 durante o fim de semana, com o número total de casos saltando de 29 para 56.

— Todos os óbitos e casos são notificados e investigados pela secretaria estadual, mas existe um tempo para atualização — disse o secretário de Saúde de Ladainha, Fábio Peres.

O município é um dos 24 de Minas Gerais com notificações de febre amarela. Todos ficam na área Leste do território mineiro, perto da divisa com o Espírito Santo. Na última sexta-feira, o governador do estado, Fernando Pimentel, decretou situação de emergência em saúde numa região com cerca de 2,4 milhões, que inclui cidades como Governador Valadares e Teófilo Otoni.

De acordo com Peres, o governo local está promovendo campanha de esclarecimento para tentar acalmar a população, mas o pânico se espalhou pelos cerca de 18 mil habitantes do município. Filas para vacinação são vistas diariamente nos dois postos de saúde da cidade desde a notificação da primeira morte, no último dia 4.

Até esta segunda-feira, 6.736 moradores de Ladainha já tinham sido vacinados, e a previsão é que até o próximo fim de semana toda população indicada para receber a vacina, estimada em 9 mil, já esteja imunizada. Além dos dois pontos fixos, nos centros urbanos, existem oito equipes móveis percorrendo bairros mais afastados e a zona rural.

— Nos locais onde foram registrados óbitos, todos os moradores já foram vacinados. Estamos com equipes indo de casa em casa — afirmou o secretário municipal de Saúde.

Além da vacinação, existe a preocupação na eliminação dos vetores. A febre amarela silvestre, responsável até o momento por todos os casos suspeitos no município, é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem em regiões de mata e transmitem o vírus de macacos para humanos.

Mas existe o temor de que a doença se espalhe por áreas urbanas. Desde 1942 não existem relatos sobre a transmissão urbana da febre amarela no país, mas o risco é grande. Basta que uma pessoa contaminada seja picada por um Aedes aegypti para que o mosquito, também responsável pela dengue, zika e chicungunha, espalhe a febre amarela.

— Nós estamos com o fumacê, tanto na zona rural como na área urbana, e contratamos agentes de endemia — disse Peres.

De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a situação da febre amarela silvestre no Brasil é de “alerta”, mas a pasta está monitorando os casos para evitar que o problema de alastre. Por enquanto, o surto está concentrado em pequenas cidades do leste de Minas Gerais. Existe recomendação para que habitantes de 19 estados se vacinem. Os estados fora da área de recomendação são Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

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