COLUNISTA CONVIDADO
A Febre Amarela
por Tânia R. C. Vergara
 
Matérias Anteriores

Dra Tania Vergara
Artigo sobre a Febre Amarela

André De Lorenzi
Estamos intervindo demais na Natureza?

Alda Maria Cruz
Comentário de caso de neuropatia

Maria Paula G. Mourão
Febre por Oropouche

Jacson Fressatto
Projeto robô laura

Ricardo Diaz
Tânia Vergara entrevista

Alberto dos Santos de Lemos
O pacote de intervenções proposto pela OMS para pessoas que vivem com HIV

James R. Hunter
False Positive Rate (FPR) - Taxa de Falso Positivo - Uma rápida Lembrança

Dra Tania Vergara
A Febre Amarela

Maria do Perpétuo Socorro Costa Corrêa
Transmissão oral da Doença de Chagas: Uma realidade!

A febre amarela (FA) é uma arbovirose causada pelo vírus amarílico, do gênero Flavivirus. A doença se manifesta de forma aguda e podendo ser assintomática ou apresentar-se de formas variadas, com sintomas brandos até formas graves e com letalidade que pode ser superior a 50%. Os primatas não humanos(PNH) são os hospedeiros naturais da FA silvestre e o homem é o hospedeiro acidental. Por que hospedeiro acidental? Porque ao entrar na região de floresta, em atividades de trabalho ou lazer, pode ser picado pelo mosquito vetor silvestre e adquirir a doença. No Brasil, em regioes de floresta, o vírus é transmitido PNH por mosquitos dos gêneros Haemagogus janthinomys H. leucocelaenus, Sabethes chloropterus e S.alboprivus.

Desde 1942 não temos FA urbana no Brasil. A doença em sua forma silvestre é endêmica na região amazônica e, ocasionalmente ocorrem surtos extra- amazônicos, facilmente controláveis por serem de pequena extensão

Não há um tratamento específico para a FA, embora haja tratamentos experimentais e todo o combate à doença se baseia na prevenção pelo aplicação da vacina.

Desde meados de 2017 a região sudeste, está em vigência do que já é considerado o maior surto de FA silvestre no Brasil. Como é uma zoonose, não há como eliminar sua transmissão. As ações de saúde são de vigilância epidemiológica, bloqueio através de aumento das áreas onde a população deve ser vacinada e ações para o controle do vetor urbano. Aí está nosso grande risco. Nossas cidades têm um índice elevado de infestação pelo Aedes aegypti, mosquito que vive nas cidades e que também serve como vetor para FA. Em áreas onde há surtos de febre amarela silvestre, baixa cobertura vacinal e mosquitos do gênero Aedes, o risco de urbanizar a epidemia aumenta. É por esta razão que as autoridades de saúde promovem campanhas de vacinação em massa e é absolutamente indispensável a adesão da população.

A vacina contra a FA vem sendo usada desde 1937 e mais de 600 milhões de doses da vacina já foram usadas mundo a fora. A vacina atualmente utilizada é de vírus vivo atenuado, fabricadas com cepas 17D e já demonstrou ser muito eficaz. Aproximadamente, 97,5% das pessoas vacinadas desenvolverão níveis protetores de anticorpos e esta proteção será por toda a vida. Pessoas vacinadas que não desenvolvem anticorpos protetores continuam vulneráveis a doença e ainda não temos uma solução para estes casos, ou como saber de forma rotineira, quem formou ou não anticorpos neutralizantes. Prestem atenção, mais de 97% das pessoas ficam imunizadas. Sendo assim, para aumentar a proteção e ainda se proteger contra zika, dengue e chicungunha, está indicado o uso de repelentes a base de icaridina ou N-dietil-meta-toluamida (DEET), ambos com concentrações iguais ou maiores que 20%. Apenas bebês com menos de 6 meses de idade têm restrição, tanto para vacinação quanto para o uso de repelentes.

Reações adversas graves relacionados a vacina são raros como doença viscerotrópica aguda ocorrerão em 0,4/100.000 doses ou encefalite em 0,4 a 0,8/100.000 doses aplicadas.

De Julho 2017 a 19/02/2018 foram notificados 112 casos suspeitos de febre amarela no Estado do Rio de Janeiro, 82 foram confirmados, 4 foram descartados, 26 permanecem em investigação e 34 foram a óbito, ou seja, 32% dos casos confirmados tiveram evolução fatal.

Esta semana, pesquisadores brasileiros evidenciaram em um macaco que morreu de FA no Estado do ES um vírus da FA com uma mutação genética (Matéria em Destaque), mas observam que esta mutação não modifica a sensibilidade do vírus à vacina.

Colegas e leitores que acompanham nosso site, vacinem-se e ajudem a divulgar a importância da vacinação.



Tânia R. C. Vergara - Presidente SIERJ e Mestre e Doutora em Doenças Infecciosas.