COLUNISTA CONVIDADO
Dr. Rodrigo Paes Leme, infectologista do Hospital Unimed de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro.
Entrevista exclusiva para a SIERJ
 
 
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Dr. Rodrigo Paes Leme
Modelos matemáticos de farmacocinética e farmacodinâmica (PK/PD)

O colunista convidado da SIERJ é o Dr. Rodrigo Paes Leme, infectologista do Hospital Unimed de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro. Ele tem pesquisado softwares de doses individualizadas de antimicrobianos por modelos matemáticos de farmacocinética e farmacodinâmica (PK/PD) e o seu hospital é pioneiro no Brasil ao investir em um dos melhores softwares do mercado mundial. O Dr. Rodrigo Lins da diretoria da SIERJ realizou essa entrevista em um encontro científico recente.

1 – R. Lins – Você sempre se interessou por PK/PD?

R. Paes Leme – Não. Nos últimos dois anos eu tive maior interesse ao entrar em contato com diversos trabalhos que mostravam impacto positivo com o uso de doses otimizadas e/ou individualizadas de antimicrobianos por PK/PD.

2 – R. Lins – Como você descobriu a existência de softwares de modelos matemáticos de PK/PD?

R. Paes Leme– Procurando por inciativa própria na web e aplicativos com descritores próprios.

3 – R. Lins – Na sua opinião, qual é a melhor forma de utilizar um software de PK/PD?

R. Paes Leme – Creio que o software deva ser operado por um farmacêutico clínico diariamente. O laboratório é fundamental no fornecimento de dados com agilidade para as variáveis, tanto na microbiologia como nas análises clínicas.

4 – R. Lins – A minha impressão é que o farmacêutico clínico no Brasil ainda fica muito tempo fora da beira do leito, diferente do que já acontece nos EUA. Você acha que esse posicionamento da farmácia clínica seria melhor para o uso do software?

R. Paes Leme – Sim, o farmacêutico clínico deve estar envolvido nas decisões terapêuticas, principalmente quando dispõe de uma ferramenta que individualiza conduta.

5 – R. Lins – Os softwares que você testou tem utilidade para definir a melhor dose/droga para o início do tratamento, é isso?

R. Paes Leme – Sim, para alguns antimicrobianos; nenhum deles oferece um “menu” completo. Diversas drogas não possuem modelos (de cálculo de dose), pois muitas vezes não há estudos de qualidade sobre PK/PD em sítios específicos. Além disso, podem ser utilizados para ajuste de doses nos casos em que possa ser feito a dosagem sérica da droga, como é o caso da vancomicina.

6 – R. Lins – Você acharia adequado usar em quais pacientes? Todos? Pacientes específicos? Todos em setores específicos?

R. Paes Leme– Creio que todos os pacientes podem se beneficiar de doses individualizadas. Em pacientes críticos temos poucas respostas definitivas sobre a melhor dose e a forma da sua administração. Talvez sejam os mais beneficiados. Em nosso hospital a ideia é utilizar o software para pacientes críticos e com infecção por bactérias com MIC elevada.

7 – R. Lins – Seu hospital é o primeiro hospital do Brasil a adquirir o DoseMe, talvez o melhor software desse tipo no mercado. Eu tive a oportunidade de testar o software (que me foi indicado por você mesmo) e não só achei muito bom, como não achei demasiadamente caro para o orçamento de um hospital de médio porte. Existem opções gratuitas? Onde um médico que gostaria de conhecer melhor esse tipo de tecnologia poderia começar?

R. Paes Leme– Existem alguns websites que geram dados confiáveis onde é possível navegar gratuitamente. Creio que o melhor seja o ID-ODS, pois disponibiliza diversas drogas, registra a distribuição das MICs por microorganismo e cada dose calculada.

8 – R. Lins – Como foi o posicionamento da direção do seu hospital com relação à aquisição do software?

R. Paes Leme– Entenderam como um grande benefício ao programa de gestão de antimicrobianos, que pode mudar o curso clínico do paciente ao diminuir a mortalidade relacionada às infecções hospitalares. Além disso, é uma grande oportunidade para avaliar o impacto do software nos custos associados aos antimicrobianos.
















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