COLUNISTA CONVIDADO
Dr. Antonio Carlos Bandeira - Professor da disciplina de Infectologia da Faculdade de Tecnologia e Ciências FTC Salvador e coordenador Comitê Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Entrevista exclusiva para a SIERJ
 
 
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Dr. Antonio Carlos Bandeira
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1 – DRA TANIA VERGARA – Dr. Bandeira, no ano de 2017 seu grupo publicou na Euro Survaillance uma série de casos de Haff em Salvador. Você pode nos falar um pouco sobre esta doença?

DR. BANDEIRA – Essa doença tem relação com a ingesta de peixes. Ela ocorre no mundo todo, sendo a causa mais provável a presença de toxinas que causam uma alteração aguda nas células musculares. Essas alterações são responsáveis pelos sintomas de rabdomiolise, com dor muscular intensa, mal-estar, com mioglobinúria importante que é a causa da coloração escura da urina. A liberação de mioglobina pelas células musculares é capaz de lesar os rins, e esses pacientes correm o risco de insuficiência renal.

2 – DRA TANIA VERGARA – Que semelhanças pode apontar entre os casos publicados por você e os recentes casos em São Paulo, referidos na reportagem ao lado?

DR. BANDEIRA– Total semelhança! Os sintomas são clássicos, nas duas situações, e o tipo de peixe consumido - Olho-de-Boi ou Arabaiana- foi o mais relacionado a Síndrome de Haff em noss estatística no ano 2016-2017.

3 – DRA TANIA VERGARA – Qual diagnóstico diferencial se impõe?

DR. BANDEIRA – O diagnóstico diferencial é com os quadros de Miosite viral. Na síndrome de Haff o paciente não tem outros sintomas como febre, rash cutâneo, ou sintomas respiratórios. A epidemiologia é de fundamental importância.

4 – DRA TANIA VERGARA – Qual a abordagem terapêutica?

DR. BANDEIRA – Sintomáticos, sempre evitando os anti-inflamatórios não-hormonais devido a potencialização do risco de IRA. Hidratação é essencial.

5 – DRA TANIA VERGARA – Que medidas preventivas são recomendadas?

DR. BANDEIRA – Evitar ingestão de peixes locais tipo Olho-de-Boi ou similares nessa região.

6 – DRA TANIA VERGARA – Por favor, suas considerações finais.

DR. BANDEIRA – Considero de fundamental importância o monitoramento dos casos pelos serviços de vigilância epidemiológica do País e alerto clínicos, emergencistas e os intensivistas para que fiquem atentos aos quadros de rabdomiolise, notificando -os e tendo cuidado no manejo clínicos dos mesmos.

DRA TANIA VERGARA – Muito obrigada. O Dr. Antonio Carlos de Albuquerque é professor da disciplina de Infectologia da Faculdade de Tecnologia e Ciências FTC Salvador e coordenador Comitê Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Recomendamos também a leitura de seu artigo:
Clinical and laboratory evidence of Haff disease - case series from an outbreak in Salvador, Brazil, December 2016 to April 2017. Euro Surveill. 2017 Jun 15;22(24). pii: 30552. doi: 10.2807/1560-7917.ES.2017.22.24.30552.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5479974/














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