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Influenza: uma infecção banal?
por Isabella Ballalai
 
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Influenza: uma infecção banal?

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Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas

Terça-feira, 29 de maio. A três dias do fim da 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza o Ministério da Saúde anuncia a prorrogação do prazo para 15 de junho. Justificativa: 44% do público-alvo não vacinado.1

As notícias sobre os casos de influenza em nosso país e a divulgação de um suposto risco de surto semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos no inverno passado mobilizaram médicos e população em busca da vacina e filas se formaram nas clínicas privadas de vacinação. Hoje, já não se fala mais nisso na mídia, e nos surpreendemos com uma baixíssima cobertura vacinal.

Os motivos para a não adesão adequada à vacinação são vários, passando pelo conhecido medo de que a vacina possa causar a doença. Mas, vamos lembrar que em 2016, quando tivemos um ano de mais casos, o medo da vacina foi superado pelo medo da doença.

A matéria recentemente publicada no portal Sergipano (www.portalsergipano.com) aborda a comprovação por análise laboratorial pela Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas a presença do parasita Trypanosoma cruzi na amostra de açaí consumida pela família que contraiu Doença de Chagas no município de Lábrea, que fica a 702 km de distância de Manaus.

O que faz um indivíduo optar pela prevenção com vacina? De acordo com a literatura (e a vida prática), é a prescrição médica.

Nós, médicos temos a obrigação de conhecer os riscos e não podemos nos basear em notícias para entender a epidemiologia da doença. É nossa responsabilidade orientar a população a população sobre os benefícios da vacinação.

Em 2017, nossas coberturas foram baixas também. E qual era o cenário: quase nada reportado na mídia e, segundo o último relatório 2017 do Ministério da Saúde, 498 óbitos, 78,9% nos grupos com fator de risco, sendo que, desses, 65,6% idosos.2 Nada comparados aos 2.220 óbitos registrados em 20163, mas muito, quando falamos de uma infecção que pode ser evitada de forma simples e, para a grande maioria das pessoas, gratuitamente.

Esse ano, chegamos agora no pico da sazonalidade, que, na maioria dos anos ocorre na 21a. semana epidemiológica. Segundo o relatório do MS da 20a semana, já foram 280 óbitos registrados.4

A cada ano, a pergunta é: qual será a gravidade da sazonalidade? H1N1? H3N2? Influenza B? Muitos casos? Óbitos?

Vamos aos fatos. A infecção pelo vírus influenza atinge anualmente cerca de 10% da população mundial, inclusive no Brasil. A doença por ela causada é potencialmente grave, principalmente para os grupos considerados de maior risco para hospitalização e óbitos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo, a estimativa é a que as epidemias anuais resultam em aproximadamente 3 a 5 milhões de casos de doença grave e 290 000 a 650 000 mortes por ano.5 As cepas A/H1N1, A/H3N2, e B (linhagens Yamagatha e Victoria) circulam todo anos e têm a mesma capacidade virulenta. A composição das vacinas é definida pela OMS considera as cepas que circulam no mundo a cada ano para definir a composição.5

O que precisamos fazer? Prescrever a vacina para nossos pacientes e orientá-los sobre a gravidade da doença e a segurança da vacina.

REFERÊNCIAS

1. Fonte: SIPNI/DATASUS/MS. Cobertura vacinal influenza. Dísponível em Fonte: SIPNI/DATASUS/MS. Último acesso em 31.05.18

2. Secretaria de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde. Influenza: Monitoramento até a Semana Epidemiológica 52 de 2017. Informe Epidemiológico. Dísponível em http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/janeiro/17/Informe-Epidemiol--gico-Influenza-2017-SE-52.pdf. Último acesso em 31.05.18

3. Secretaria de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde. Influenza: Monitoramento até a Semana Epidemiológica 52 de 2016. Informe Epidemiológico. Dísponível em http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/janeiro/05/Informe-Epidemiologico-Influenza-2016-SE-52.pdf. Último acesso em 31.05.18

4. Secretaria de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde. Influenza: Monitoramento até a Semana Epidemiológica 20 de 2018. Informe Epidemiológico. Dísponível em http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/maio/25/Informe-Epidemiologico-Influenza--2018-SE-20.pdf. Último acesso em 31.05.18

5. Organização Mundial da Saúde. Influenza (seasonal). Disponível em http://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/influenza-(seasonal). Último acesso em 31.05.18


Isabella Ballalai - Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações – Regional Rio de Janeiro Membro do Comitê de Imunizações – SBI