COLUNISTA CONVIDADO
Artigo sobre a Febre Amarela
por Dra Tania Vergara
 
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Dra Tania Vergara
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O primeiro relato de uma epidemia semelhante à de febre amarela foi encontrada em um manuscrito maia de 1648 em Yucatan, no México. Foi através de Pernambuco que a febre amarela chegou ao Brasil, em 1685, lá permanecendo por 10 anos. Salvador também foi vítima e em 6 anos, morreram cerca de 900 pessoas. O último relato de transmissão febre amarela urbana no Brasil ocorreu em 1942, no Acre. A febre amarela silvestre foi identificada em 1932 e até 1999 os focos endêmicos eram restritos à região Amazônica e pré-Amazônica do Maranhão e na parte centro-oeste de Minas Gerais. No período de 2000 a 2009 houve uma expansão viral nos sentidos leste e sul do país, o que promoveu uma mudança nas áreas com recomendação para vacinação.

A febre amarela é uma doença infecciosa que pode evoluir de forma grave, sendo causada por um flavivírus e transmitida por mosquitos. As áreas de ocorrência da doença são a América Central e do Sul e a África. A transmissão pode ocorrer tanto em áreas urbanas, quanto em região silvestres e rurais. Não existe transmissão de pessoa a pessoa, sendo absolutamente indispensável que o vetor pique o indivíduo infectado e, após o vírus ter se multiplicado, pique uma pessoa susceptível, ou seja, não vacinada, para que haja a contaminação.

Nas áreas de mata, nosso principal mosquito vetor é o Haemagogus, e com menor frequência, o Sabethes. O ciclo da doença silvestre é mantido através da infecção de macacos, principais hospedeiros e amplificadores do vírus e da transmissão transovariana no mosquito. O homem funciona apenas como hospedeiro acidental, por penetrar em áreas de cerrado ou de floresta, sem estar imunizado.

Não existe diferença clínica entre febre amarela silvestre e febre amarela urbana. O que ocorre é que este homem que se infectou ao penetrar em áreas de febre amarela silvestre, pode retornar para áreas urbanas e aí ser picado pelo Aedes aegypti que é um vetor urbano da doença. Uma vez infectada, a pessoa passa a ser, imediatamente, fonte de infecção para o mosquito e permanece assim até o quinto dia da infecção. Nove a doze dias após ter picado a pessoa infectada pelo vírus da febre amarela, o Aedes aegypti é capaz de transmitir o vírus. Pode ocorrer transmissão fetal através da placenta, embora esta não seja comum.

Em geral, a febre amarela é autolimitada e a maioria das pessoas desenvolve sintomas leves ou moderados ou permanecesse assintomática. Quando ocorrem, os sintomas costumam aparecer 3 a 6 dias após a picada do mosquito (período de incubação). São eles: febre alta, mal estar geral, cefaléia, mialgia, astenia, calafrios, náuseas, vômitos e, eventualmente, diarréia. Em três a quatro dias, 85% dos pacientes se recuperam, mas 15 % evoluem para as formas mais graves da doença. Pode ou não haver um pequeno período de aparente melhora, de até dois dias, e depois evolução para exacerbação dos sintomas, com reaparecimento da febre, dor abdominal, icterícia, manifestações hemorrágicas e sinais de insuficiência hepática e renal. Evolução para morte ocorre em até 50% dos casos mais graves, mas quem sobrevive, recupera-se totalmente. O tratamento é sintomático, e o paciente deve ser hospitalizado. Reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, se indicado. Nas formas graves devem permanecer em Unidade de Terapia Intensiva. Ácido acetil salicílico e outros anti-inflamatórios devem ser evitados, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.

O Brasil vive, no momento, o maior surto de febre amarela das últimas décadas, concentrando o maior número de casos nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Ações conjuntas que envolvem equipes do Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais investigam casos, mapeiam áreas de risco, fazem busca de casos suspeitos nas bases dos sistemas nacionais de informação, reforçam e analisam as notificações, implementam ações de vacinação. Até 27 de abril foram notificados ao Ministério da Saúde 3131 casos suspeitos de febre amarela silvestre em humanos. Destes, 715 foram confirmados, 1589 descartados e 827 ainda estão em investigação. No Estado do Rio de Janeiro, temos 11 casos confirmados, 24 em investigação e 41 descartados, mas nenhum caso ainda na cidade do Rio de Janeiro. Três óbitos por febre amarela foram confirmados no nosso estado e 2 permanecem sob investigação. No período de janeiro a abril de 2017 o Ministério da Saúde encaminhou 23,6 milhões de dose da vacina à região sudeste, sendo 4,6 milhões para o Rio de Janeiro. A lista dos municípios com orientação para vacinação de febre amarela pode ser encontrada em http://bit.ly/mun_vacina_fa

A vacina contra febre amarela possui eficácia superior a 95%. Recentemente o Brasil alinhou-se a OMS e passou a recomendar apena uma dose da vacina no curso da vida.

Ações como o fracionamento da vacina poderão ser tomadas caso haja expansão da epidemia. O Ministério da Saúde reforça que a dose fracionada é tão eficaz quanto a vacina na dose padrão, sendo a única diferença o tempo de proteção de, pelo menos, um ano.

Tânia Vergara
Vice-Presidente SIERJ

A SIERJ coloca em seu facebook a atualização dos dados da febre amarela semanalmente. Acesse.
Vocês podem encontrar informações sobre a história da febre amarela de forma organizada e interessante em:

https://www.cdc.gov/travel-training/local/HistoryEpidemiologyandVaccination/page27568.html
https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/febre-amarela-doen%C3%A7a-e-vacina-uma-hist%C3%B3ria-inacabada

Informações atualizadas em:
http://portalsaude.saude.gov.br/
https://www.cdc.gov/yellowfever/